A organização foi representada pela Diretora de Estratégias Territoriais na Luta pela Paz, Ana Caroline Belo

A sede da Ordem dos Advogados do Brasil – RJ recebeu, no dia 02 de junho, o seminário “Tatame Seguro para as Mulheres no Jiu-Jitsu”. O encontro fortaleceu o debate urgente e necessário sobre a construção de ambientes esportivos mais seguros, éticos e acolhedores para as mulheres.
A Diretora de Estratégias Territoriais na Luta pela Paz, Ana Caroline Belo, dividiu a mesa de debate com Luciana Neder, Fundadora da Comissão de Direito das Mulheres no Jiu-jítsu, Kyra Gracie, empresária e professora da modalidade, Ana Hissa, jornalista esportiva, Luana Guterres, Guarda Municipal do Rio de Janeiro e professora, Júlia Boscher, Atleta de jiu-jitsu, professora e influenciadora digital, e Carla Ferreira, Professora e Diretora da Comissão das Mulheres no Jiu-Jítsu.
O painel de abertura do encontro teve Sérgio Antunes, Secretário Adjunto da OAB-RJ, Larry Ramos e Antônio Barça, Coordenadores de Jiu-Jítsu da Diretoria de Esportes da OAB-RJ e Jefferson Millen, proprietário da OSS Patches.

Caminhos para um ambiente esportivo mais seguro e inclusivo
Durante o evento, mediado pelo Jornalista Marcos Castro, foram abordados temas como combate ao assédio, responsabilidade das academias, acolhimento e saúde mental. Também foram compartilhadas pelas participantes diferentes experiências vivenciadas ao longo de suas trajetórias, evidenciando a importância de protocolos claros, formação ética e a atuação conjunta a fim de garantir a proteção das mulheres tanto no jiu-jitsu como em outras modalidades esportivas.
Ana Caroline Belo, da Luta pela Paz, reforçou o papel da organização e destacou que as práticas esportivas em territórios como a Maré passam, necessariamente, pela conscientização e formação contínua de educadores e treinadores que atuam nesses espaços. “Esses profissionais têm um compromisso fundamental na construção de ambientes seguros, acolhedores e inclusivos para as mulheres, sendo responsáveis por orientar jovens não apenas no esporte, mas também em valores como respeito, ética e convivência”, comentou.
A jornalista esportiva Ana Hissa avaliou o seminário como um espaço potente de construção coletiva e avanço para o esporte feminino. De acordo com ela, o encontro não se limitou à troca de experiências, mas também apontou caminhos concretos para a transformação. “O evento foi muito positivo, porque, além das ideias e experiências que trouxemos, que são muito convergentes, também apresentamos propostas efetivas. Se forem realmente colocadas em prática, podem dar um salto gigantesco para o esporte feminino”, destacou.

Espaço estratégico para legitimar o debate
A fundadora da comissão de direito das mulheres no jiu-jitsu, Luciana Neder, destacou que o seminário surgiu a partir da iniciativa de outros articuladores, mas ganhou força coletiva ao longo da organização. Segundo ela, a escolha de realizar o encontro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi estratégica para ampliar a legitimidade do debate. “A OAB é uma entidade extremamente relevante e isso dá legitimidade à nossa fala. Porque, quando a gente fica só na rede social, muitas vezes é tratada como ‘louca’ ou ‘histérica’. Já em um espaço como esse, as pessoas entendem que precisam escutar esse outro lado também”, afirmou.
Luciana também ressaltou que a realização do evento foi impulsionada pelo aumento de casos de assédio no jiu-jitsu que ganharam visibilidade na mídia, evidenciando a urgência do tema. “A gente não aguenta mais ver o nosso esporte sendo divulgado como um tatame inseguro, hostil com as mulheres. O objetivo desse evento é justamente discutir estratégias e ações concretas para combater essa epidemia social que é a violência contra a mulher”, finalizou.
