Notícias

Educadora do Maré Unida recebe faixa preta de Judô

Por Matheus Araujo

Raissa Lima, educadora de Judô de longa data na Luta pela Paz, recebe sua faixa preta | Foto: Matheus de Araujo

Existem momentos dentro do esporte que proporcionam sensações indescritíveis aos atletas, treinadores e espectadores. Muitos desses momentos estão para além dos torneios e campeonatos, principalmente no desenvolvimento das habilidades, nos treinos, e na conquista de novos patamares através da disciplina e persistência depois de muito tempo de dedicação à modalidade. Todas essas ocasiões se enquadram no que viveu Raissa Lima, educadora de Judô do Maré Unida, projeto realizado pela Luta pela Paz e patrocinado pela Petrobras.

No dia 06 de dezembro, terça-feira, Raissa Lima recebeu, 5 anos após conquistar sua faixa marrom, a graduação em faixa preta de Judô, no dojô em que se desenvolveu a maior parte de sua trajetória esportiva, o da Academia  Luta pela Paz na Maré. Esse é o patamar mais alto dentro da modalidade e, pela primeira vez nesses 22 anos da organização, uma mulher que cresceu dentro da Luta pela Paz e foi treinada pelos nossos/as educadores/as consegue conquistá-lo. Sua Sensei Amélia, de Santos, São Paulo, foi quem viu nela o potencial necessário, e, neste dia, pôde entregar a faixa preta para Raissa.

“Iniciei no judô quando tinha 14 anos. Conheci depois que vi uma professora dando aula, nunca imaginei que mulheres poderiam dar aulas de lutas. Quando eu era mais nova, eu não via isso, eu era a única menina da minha turma e de cara me apaixonei pelo Judô”, comenta Raissa. “Ser mulher no esporte ainda é difícil, doloroso, você não pode mostrar nem um minuto sua fragilidade, tem sempre que estar cinco vezes à frente do seu progresso”, completa a faixa preta.

Raissa pôde graduar seus alunos e alunas pela primeira vez como faixa preta | Foto: Matheus de Araujo

Ainda temos um longo caminho a percorrer até a igualdade numérica ser uma realidade dentro dos esportes de luta. Do total de atletas federados na Confederação Brasileira de Judô até 2019, 57.305 (75,04%) são homens e 19.063 atletas (24,96%) são mulheres. Entre os técnicos federados, 323 (14%) são mulheres contra 1.982 (86%) são homens. Essa disparidade impressiona, mas demonstra avanços, já que nos anos anteriores estes números eram ainda mais discrepantes, inclusive com um período histórico onde as mulheres eram proibidas de participar de competições de lutas.

“Eu nunca me imaginei chegando na faixa preta, até porque eu era conhecida como uma jovem que sempre abandonava as coisas na metade do caminho, mas o Judô pra mim sempre foi diferente. Depois de um tempo me tornei ajudante de turma e daí apareceram oportunidades de pensar em ser professora, trazer mais meninas para o esporte”, comenta Raissa, lembrando também de momentos em que pessoas a fizeram duvidar da própria capacidade e o quanto superar esses obstáculos foi fundamental para essa conquista.

O sucesso  da educadora esportiva do Maré Unida demonstra o quanto o projeto é engajado e investe em lideranças fundamentais dentro da Maré e em outras localidades, uma vez que, além de educadora esportiva do projeto, a jovem participou, ainda, de um treinamento para organizações locais, parte das atividades do Maré Unida, com sua própria iniciativa, a ONG Pra Elas. O Maré Unida parabeniza Raissa e tantas outras meninas e mulheres que persistem no caminho para alcançar seus maiores objetivos. Seguimos com o compromisso de continuar investindo em grandes atletas, cidadãs e cidadãos.

Foto principal dos graduandos de Judô do dia 6 de dezembro de 2022 | Foto: Matheus de Araujo

Você também vai se interessar por…