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Capacitando jovens para que sejam a mudança que querem ver no mundo.

O Novos Caminhos é um programa de educação da Luta pela Paz destinado a jovens de 16 anos ou mais e que oferece apoio holístico aos participantes para avançarem e moldarem seu futuro.

Para que você possa entender mais sobre o programa, fizemos algumas perguntas à Munira Mohamed, Coordenadora de Educação da Academia de Londres. Assim, você poderá entender um pouco melhor qual o apoio que o Novos Caminhos oferece e como desafia os jovens da Luta pela Paz a serem a mudança que desejam ver no mundo.

1. Você pode explicar o que é o programa educacional Novos Caminhos e como ele visa apoiar os jovens?

O Novos Caminhos é um programa de educação alternativa projetado para apoiar jovens que estão fora da escola, sem emprego ou treinamento, e, dentre estes, especialmente aquelas e aqueles jovens que tiveram um histórico de problemas de educação. Quer dizer, isso pode significar que eles tiveram más experiências na educação formal, que não receberam o apoio necessário para se destacar, que foram excluídos da escola ou simplesmente não obtiveram as qualificações que desejavam ou exigiam. Assim, o Novos Caminhos é composto por quatro disciplinas, incluindo habilidades funcionais em inglês e matemática, onde os jovens têm a oportunidade de explorar seu aprendizado e obter as qualificações exigidas pelo mercado de trabalho.

2. Qual a diferença entre o Novos Caminhos e outros cursos de educação?

A nossa abordagem é diferente da tradicional. Não somos uma escola, nem uma faculdade. Logo, vemos muito os jovens enquanto membros da Luta pela Paz que estão correndo atrás de seu próprio aprendizado com o apoio dos mecanismos adicionais que a Luta pela Paz proporciona – seja através dos treinadores ou dos demais jovens trabalhadores da organização, que complementam o que entendemos por Educação. Além disso, podemos contar com as instalações que nós temos a sorte de ter aqui na nossa Academia, o que ajuda a criar um ambiente de aprendizado muito mais aberto e experimental.

Damos muita ênfase à adaptação dos assuntos para que sejam relevantes para a vida dos jovens e acho que trabalhando a partir de cursos técnicos em que ensinamos habilidades funcionais a eles e elas há bastante flexibilidade para fazer isso. Na disciplina de Inglês, por exemplo, falamos muito sobre voz e sobre como os jovens querem usar as suas próprias vozes e visões, daí acabamos falando sobre o próprio idioma e a forma com que se comunicam também. Trata-se de capacitá-los a pensar sobre o que desejam fazer no futuro e o caminho que desejam trilhar para chegar lá, mas também o tipo de contribuição que desejam dar ao mundo e às suas vidas e comunidade.

3. Quais são as principais barreiras para que os jovens adquiram as habilidades, conhecimentos e qualificações de que necessitam e como o Novos Caminhos se propõe a lidar com isso?

Os jovens do Novos Caminhos são de diferentes origens, logo podemos traçar alguns paralelos entre elas e eles, mas esta é e sempre será uma resposta em aberto.

Alguns destes alunos e alunas frequentaram escolas onde há poucas expectativas em relação a eles/elas e suas habilidades. Às vezes, como estudante, você pode ser rotulado, especialmente se tiver algumas necessidades comportamentais. Além disso, alguns jovens possuem dificuldades em suas relações familiares, onde talvez não tenham o apoio de que precisavam ou talvez não tenham os recursos mais básicos de subsistência em casa. Alguns também já enfrentaram pressões de colegas para se envolverem em atividades criminosas e alguns destes e destas, ainda hoje, também ainda enfrentam este tipo de problema.

Mas acho que a maior barreira é, na verdade, os jovens que não acreditarem em si mesmos. E acredito que isso se dê, muitas das vezes, porque estas e estes jovens não tiveram pessoas que confiassem neles e em suas habilidades – antes de nós. Eu acho que você vir de um lugar onde não pode vislumbrar seu futuro e, de repente, ser instigado a pensar sobre isso é realmente emocionante e engrandecedor. Isso para mim é o que mais me motiva e o que mais resume, na minha opinião, o que é o Novos Caminhos.

4. O Novos Caminho se diz “holístico” em sua abordagem de apoio ao desenvolvimento dos jovens. O que isso quer dizer?

Oferecemos orientação, esportes de combate e desenvolvimento pessoal, para além das aulas das matérias do supletivo em si, como uma maneira de fornecer um apoio adicional aos jovens que fortalece um desenvolvimento mais integrado e completo do que aquele tradicional.

Este apoio holístico é muito importante, ao meu ver, porque acho que nos sistemas escolares tradicionais os jovens que exigem esse apoio extra não tiveram, muitas vezes também, as suas necessidades atendidas. É muito importante sermos capazes de capacitar os jovens em todos os aspectos de suas vidas e não apenas na sala de aula.

Se os jovens enfrentam dificuldades emocionais, financeiras ou de outra ordem, podemos oferecer o apoio certo em determinado momento. O que você acaba entendendo é que, muitas vezes, são essas coisas que acabam afetando o aprendizado e, se realmente podemos apoiar nisso, podemos criar um ambiente de aprendizagem muito mais favorável: um ambiente que permite aos jovens florescer e alcançar seu potencial.

5. Que mudanças você costuma ver nos jovens que concluem o Novos Caminhos?

Eu acho que algumas das principais mudanças que você vê é um aumento no desejo de atingir suas metas e o desenvolvimento de suas ambições. Vemos os jovens desenvolverem uma genuína curiosidade pelo aprendizado e pelo desenvolvimento. Assim, acabam se encontrando, ao final do curso, mais dispostos a desafiar a si mesmos e a serem desafiados. E entendem a importância de se colocarem cada dia mais motivados e abertos às possibilidades, desenvolvendo a cada dia mais confiança em suas próprias habilidades e na tomada de decisões.


6. O que te motiva a se envolver no programa educacional da Luta pela Paz?

Quero fazer uma mudança no mundo e descobri que a maior maneira de causar impacto é através da educação, abrindo portas que, de outra forma, poderiam continuar fechadas para alguns e algumas jovens. A educação permite que jovens naveguem pela vida e entendam o ambiente e o mundo em que vivemos. Acho que é a ferramenta mais poderosa para entender a si próprio e as pessoas ao seu redor e, portanto, entender o que você deseja e como pode contribuir para um mundo melhor.

Penso que a Luta pela Paz é única, pois possui a infraestrutura certa para os jovens: desde nossos serviços de emprego e apoio, passando pelo nosso Conselho Jovem e chegando até outros programas que oferecemos para crianças e adolescentes. Penso que oferecemos uma gama de programas que dão aos jovens a oportunidade de satisfazer muitas das suas diferentes necessidades. Eu acho que aqui na Luta pela Paz temos uma abordagem muito rica e muito única para apoiar esta juventude justamente naquilo que eles mais precisam.

7. Você pode compartilhar algum momento inspirador que teve desde que se envolveu com o Novos Caminhos na Luta pela Paz?

Eu estava conversando com um dos meus alunos que era bastante tímido e hesitante em participar, porque ele estava com medo de cometer algum erro. Tivemos uma conversa muito boa sobre a importância de cometermos erros no aprendizado e que muitas vezes a nossa autoestima não condiz com o que realmente somos e acaba sendo um obstáculo para irmos em frente. Começamos a falar sobre a diferença entre uma mentalidade de crescimento e uma mentalidade conservadora. E que parte da mentalidade de crescimento é permitir-se cometer erros ao passo que desenvolvemos nossa curiosidade… É sobre aprender com os erros que você comete e também aprender com os outros sobre como eles chegaram aonde estão.

Eu diria que esse foi um dos momentos mais importantes para mim, pois nosso trabalho diário é muito sobre desaprender muitas das crenças que adotamos sobre nós mesmos. Isso faz com que rompamos diversas barreiras que muitas vezes nem sabíamos que sequer existiam. Assim, pouco a pouco, vamos entendendo que todos são capazes de aprender, apenas o que muda é o tempo que cada um leva para isso. Entendemos que a maior barreira para o progresso muitas vezes são nossas próprias crenças e quando entendemos que elas não nos definem, é que somos capazes de progredir.

Conheça os resultados da Luta pela Paz.

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