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Abraçando as Diferenças no Esporte integra atividades esportivas e suporte social para transformar realidades

Com esporte e acolhimento, projeto amplia o acesso a direitos e cria redes de apoio para jovens com deficiência e responsáveis

Participantes do projeto Abraçando as Diferenças no Esporte durante roda de Capoeira
na Luta Pela Paz / Foto: Gabi Lino

O projeto Abraçando as Diferenças no Esporte, da Luta Pela Paz, fortalece o cuidado de crianças, adolescentes e jovens com deficiência e necessidades específicas no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Em parceria com o Criança Esperança,  a iniciativa utiliza o esporte como ferramenta de desenvolvimento, inclusão e promoção de saúde e bem-estar, articulando atividades esportivas com ações de suporte social voltadas também às famílias.

Para além das práticas esportivas, o projeto se destaca pela atuação com a equipe de Suporte Social e a AAGIR (Ações Afirmativas em Gênero, Inclusão e Raça), que promovem rodas de conversa, encontros e passeios externos com as pessoas participantes e responsáveis. Essas ações buscam ampliar o acesso a direitos, formar vínculos e criar espaços de troca entre famílias que, muitas vezes, enfrentam desafios semelhantes no cuidado com crianças e jovens com deficiência. A proposta é construir um ambiente acolhedor e informativo, que contribua tanto para o desenvolvimento dos atendidos quanto para as figuras que assumem  papel  de cuidado.

Segundo Viviane Carmen, coordenadora da AAGIR, a criação de vagas específicas para pessoas com deficiência ou necessidades específicas, em 2020, revelou uma demanda silenciada no território. “Naquela época foram abertas turmas específicas e vieram muitas crianças e jovens da Maré. Com isso, passamos a nos perguntar onde essas pessoas estavam e porque elas não acessavam a Luta pela Paz nem outras instituições. Muitas vezes ficam isoladas em casa, por proteção das famílias”, relembra.

Viviane destaca, ainda, que a iniciativa deixou um legado importante para a equipe pro envolvida , com formações e orientações que ampliaram o conhecimento sobre inclusão. “Hoje, a equipe esportiva, por exemplo, consegue lidar melhor com as especificidades, falar sobre autismo, entender diferenças e compreender a importância de colocar limites, independentemente da deficiência”, comenta.

Participantes do projeto Abraçando as Diferenças no Esporte durante visita ao Museu da Humanidade
Foto: Matheus de Araújo
Participantes do projeto Abraçando as Diferenças no Esporte durante treino de Jiu-Jitsu / Foto: Matheus de Araújo

O olhar voltado às famílias

Já no trabalho com  responsáveis, a psicóloga Kimberly Veiga, que lidera as atividades do Suporte Social  no projeto, ressalta a importância dos encontros quinzenais realizados com mães e familiares. “Mantemos um grupo com responsáveis de crianças atípicas, que se tornou um espaço de troca muito potente. Mediamos o diálogo e elas compartilham experiências, informações sobre direitos e serviços ”, explica.

Para muitas famílias, o grupo representa um espaço de acolhimento diante de uma rotina marcada por sobrecarga e solidão. “É muito comum ouvirmos relatos de cansaço e isolamento. Então, trabalhamos também a importância do autocuidado, de entender que elas não precisam ser fortes o tempo todo. Esse espaço permite que elas respirem, se sintam cuidadas e fortalecidas”, completa a psicóloga.

O apoio de monitoria durante os encontros também garante uma ocupação do espaço com tranquilidade, enquanto as crianças são acolhidas em atividades paralelas.

O projeto Abraçando as Diferenças no Esporte é uma realização da Luta pela Paz em parceria com o programa Criança Esperança, com o patrocínio da UNESCO. Integrando esporte, suporte social e atividades exclusivas para este público alvo. Constrói caminhos para o fortalecimento de vínculos, a ampliação de direitos e a valorização das singularidades, contribuindo para uma comunidade mais inclusiva dentro e fora da Maré.

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