Com 10 anos, aluno do projeto Abraçando as Diferenças no Esporte encontra no programa caminhos para se desenvolver, socializar e ganhar autonomia

Morador do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Mathias Paiva faz parte do projeto Abraçando as Diferenças no Esporte, da Luta pela Paz, iniciativa realizada em parceria com o Criança Esperança, que utiliza o esporte como ferramenta de desenvolvimento para crianças e jovens com necessidades específicas.
Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e hiperatividade, ele vem construindo, junto com sua mãe, Antônia Paiva, uma trajetória marcada por desafios, descobertas e avanços importantes.
Desde cedo, Antônia percebeu que havia algo diferente no desenvolvimento do filho. Ainda bebê alguns sinais chamavam a sua atenção. Segundo ela, Mathias era muito quieto, não reagia como outras crianças da mesma idade aos estímulos e apresentava comportamentos repetitivos. “Ele fazia muitos movimentos constantes com as mãos e ficava muito aéreo, dentro da própria mente dele”, relembra.
Apesar das suspeitas, o caminho até o diagnóstico não foi simples. Antônia buscou ajuda médica diversas vezes, mas nem sempre foi ouvida. “Eu levava o Mathias em vários médicos e eles diziam que eu não sabia lidar com o meu filho”, relata. Foi apenas aos 4 anos que veio a confirmação do diagnóstico de TEA. Antes disso, a rotina já exigia muita adaptação, Mathias apresentava dificuldades para dormir, episódios de choro intenso e necessidade de uma rotina bem estruturada. Até hoje, organização e previsibilidade são fundamentais para o bem-estar dele.

na Luta Pela Paz / Foto: Letícia Gonçalves
A entrada na Luta pela Paz
A chegada na organização aconteceu por indicação de pessoas conhecidas. Antônia já conhecia a Luta pela Paz, mas não sabia sobre o atendimento com crianças mais novas e necessidades específicas. No início, a adaptação foi gradual, o aluno participava das aulas mas não conseguia se manter regulado, possuindo a necessidade de se movimentar constantemente pela sala sem uma finalidade específica. Com o tempo, Mathias se acostumou ao ambiente e às atividades, e, atualmente, consegue realizar os exercícios propostos em sala.
A evolução do aluno ao longo do tempo é motivo de orgulho para a família. Um dos pontos mais marcantes, segundo Antônia, foi perceber que ele começou a participar mais ativamente dos treinos, das aulas de desenvolvimento pessoal, que também fazem parte do projeto, e a interagir melhor com outras pessoas. “Ele começou na capoeira, passou pelo judô e hoje pratica jiu-jitsu. Depois de passar por essas modalidades e pelos momentos de desenvolvimento pessoal, meu filho começou a socializar mais com as pessoas em volta dele”, diz. Na escola e na comunidade ela também percebe mudanças, e conta que por onde passam no território são bem recepcionados pelas crianças.
Apoio que vai além do esporte
Além das atividades esportivas, o projeto também oferece suporte às famílias, com encontros quinzenais entre responsáveis, psicóloga e assistente social e eventuais passeios externos. “É uma sensação muito boa poder trocar experiências e interagir com outros responsáveis que passam por situações parecidas com as minhas”, afirma Antônia. Para ela, esses momentos são fundamentais, representam escuta e acolhimento e fortalecem não só o desenvolvimento das crianças, mas também o suporte emocional de quem cuida.
A iniciativa representa muito mais do que uma atividade extracurricular. A responsável acredita que, aos poucos, o filho está conquistando mais autonomia e aprendendo a lidar com o mundo ao seu redor. “Nós precisamos preparar os nossos filhos para viverem em sociedade, a iniciativa dá a oportunidade a eles de conquistarem autonomia para não depender tanto de alguém.” expressa.
O projeto Abraçando as Diferenças no Esporte é uma realização da Luta pela Paz em parceria com o programa Criança Esperança, com o patrocínio da UNESCO. Entre desafios e conquistas, a história de Mathias mostra como o acesso ao esporte, ao acolhimento e à inclusão pode transformar trajetórias, não apenas das crianças, mas de toda a família.
