
O Atletas da Paz, iniciativa da Luta pela Paz, reúne cerca de 535 participantes, dos quais 64 são pessoas com deficiência. Mais do que ensinar capoeira, jiu-jitsu e muay thai, o projeto oferece essas práticas como caminhos para a transformação social. Por meio delas, os participantes desenvolvem confiança, assumem papéis de liderança e fortalecem os laços com a comunidade, ampliando o senso de pertencimento.
Roberto Custódio, líder da iniciativa, destaca: “Nosso trabalho de inclusão busca garantir autonomia, especialmente para alunos com necessidades específicas, promovendo integração com todo o grupo”. De acordo com ele, no momento da matrícula, muitos responsáveis procuram o jiu-jitsu para alunos PCDs. Por isso, as turmas da modalidade concentram o maior número de pessoas com deficiência.
Tatame é lugar de acolhimento
Jeferson Costa, conhecido como Shaolin, morador da Maré e educador esportivo social da modalidade de jiu-jitsu no Atletas da Paz, afirma que os atendimentos aos alunos e alunas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e TEA (Transtorno do Espectro Autista) têm proporcionado melhora significativa em diferentes áreas, como comunicação, concentração e interação social, contribuindo para o desenvolvimento socioemocional dessas vidas.
Com o apoio da Luta pela Paz, Jeferson destaca a importância da formação que recebeu na instituição. “Aprendi aqui que não é só o professor chegar e ensinar a técnica dos golpes e movimentos. É preciso transmitir uma mensagem. Foi isso que mais me ajudou. As aulas de jiu-jitsu, combinadas com o desenvolvimento pessoal, mudaram muito a minha cabeça, o meu jeito de pensar. Quando você muda uma vida, muda também as vidas ao redor”.

Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, Shaolin ressaltou que o esporte ultrapassa a técnica e, dentro da comunidade, atua como agente de transformação, tendo o jiu-jitsu como ferramenta de autoestima e cidadania.
O projeto Atletas da Paz está em sua 5ª edição e conta com o patrocínio de Galp, BTG Pactual e Grupo GPS, por meio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte, via Ministério do Esporte e Governo Federal, garantindo aulas gratuitas em três modalidades de luta: capoeira, jiu-jitsu e muay thai — desenvolvidas a partir da metodologia, dos valores e dos princípios que orientam a atuação da organização.

