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Conheça a trajetória de Marco Rabi, educador da Luta pela Paz, que encontrou na capoeira pertencimento e construção de legado

Educador Marco Rabi durante passeio pedagógico no Circuito Pequena África – Foto: Matheus de Araujo

Nascido em Luanda, capital de Angola, Marco Rabi encontrou na capoeira uma forma de se conectar com sua história e construir seu caminho. O educador esportivo da Luta pela Paz começou a praticar capoeira entre os 12 e 13 anos, ainda em seu país de origem, e se mudou para o Brasil na adolescência. Hoje, aos 28 anos, é educador esportivo de capoeira no Capoeira nas Escolas – projeto que leva oficinas de capoeira para crianças e adolescentes de escolas públicas do Complexo da Maré.

Mais do que uma prática corporal, a capoeira se tornou uma ferramenta de afirmação cultural e identidade. Para Marco, homem negro africano vivendo no Brasil, ela representa um elo entre passado e presente, reunindo luta, música, filosofia e memória. Inspirado por seu mestre, para o educador a capoeira também é pesquisa, educação e uma forma de preservar histórias que atravessam gerações. 

Para além dos espaços onde ministra as aulas, o esporte afro-brasileiro está presente em sua vida. Ao longo dos anos, participou de campeonatos, acumulando aprendizados importantes e conquistas, como o primeiro lugar no Campeonato Herança dos Grandes Mestres de Músicas Autorais, com uma composição dedicada à Angola.

Marco Rabi acredita que a arte marcial é uma ferramenta de acolhimento e transformação que vai muito além do ensino técnico. “Não é apenas ensinar capoeira, é oferecer acolhimento. Muitos alunos vivem em contextos atravessados por diferentes formas de violência, e a capoeira oferece um espaço de expressão, pertencimento e cuidado. Nós trabalhamos com construção coletiva e respeito. Criamos regras de convivência acessíveis a todos e buscamos incluir principalmente os alunos que enfrentam mais dificuldades. Quando o aluno se sente parte, ele passa a cuidar do espaço, do aprendizado e de si mesmo”, compartilha o educador. 

Marco Rabi durante aula do projeto Capoeira nas Escolas em uma escola pública do Complexo da
Maré – Foto: Matheus de Araujo

Entre as atividades desenvolvidas pelo educador no projeto Capoeira nas Escolas há a proposta de conectar os jovens à história e à cultura que fazem parte da capoeira. Ao visitar espaços históricos e culturais, como o Circuito Pequena África, na região portuária do Rio de Janeiro, os alunos têm a oportunidade de vivenciar os conhecimentos aprendidos nas aulas. “Quando levamos os alunos a lugares históricos, eles não apenas ouvem sobre o passado, eles sentem. Isso fortalece a identidade, o pertencimento e a consciência histórica. É uma forma de manter vivo o legado daqueles que vieram antes de nós”, completa Marco. 

Para Marco Rabi, a capoeira pode ser definida em uma palavra: legado. Para ele, ensinar é uma forma de manter viva a memória de quem veio antes e de contribuir para o futuro das novas gerações. 

Capoeira nas Escolas é patrocinado pela Prefeitura do Rio de Janeiro,via Secretaria Municipal de Cultura, com patrocínio do Grupo GPS, Oliveira Trust, Grupo Smart Fit, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.


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