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Do esporte para a vida: como o judô contribui para a formação de jovens

Modalidade integra o Projeto Campeões Comunitários, que alia a prática esportiva a novas perspectivas no Complexo da Maré.

Alunos na academia da Luta pela Paz durante e graduação de Judô
Foto: Matheus de Araújo

No tatame, cada movimento carrega um aprendizado. Entre os exercícios e os desafios, o judô se transforma em uma ferramenta de desenvolvimento para crianças, adolescentes e jovens do Complexo da Maré. Por meio do projeto Campeões Comunitários, iniciativa realizada na Luta pela Paz em parceria com a Galp e o BTG Pactual via Lei de Incentivo ao Esporte, a modalidade é utilizada para estimular não só o condicionamento físico, mas também valores e habilidades que acompanham os participantes.

No dia a dia dos treinos, a proposta se traduz em uma prática que não se limita a dinâmicas e técnicas, ela abrange um espaço de escuta, onde os profissionais procuram compreender como os alunos chegam à instituição e quais são as suas necessidades. Com essa abordagem, o judô ganha diferentes formas, considerando as particularidades dos atletas e fazendo do ambiente de ensino um lugar de acolhimento.

Participantes da Luta pela Paz durante treino de Judô
Foto: Matheus de Araújo

Um olhar que começa antes da luta

É a partir dessa perspectiva que Raíssa Lima, educadora esportiva e social  de judô na Luta pela Paz, inicia as suas aulas. “Pergunto como eles estão e o que fizeram no dia, para entender como posso avançar”, diz. Os encontros seguem com as orientações sobre os fundamentos da modalidade e a aplicação da luta. Raíssa compartilha que aproveita esse momento para trabalhar a maneira como os integrantes lidam com a competitividade. Ao invés de incentivar apenas a disputa por quem ganha ou perde, o intuito é que eles duelem com respeito.

Para a educadora, as habilidades desenvolvidas durante os treinos se refletem em como os participantes se relacionam com as outras pessoas e assumem responsabilidades no cotidiano. Conforme eles evoluem no esporte, passam a ocupar uma posição de referência para os alunos mais novos e se tornam disciplinados e cuidadosos. “Eles são motivados a levarem os valores da arte marcial para diversas áreas. Para serem faixa cinza no tatame, eles têm que ser faixa cinza na escola e em casa”, completa.

Marcas que ultrapassam a modalidade

Os efeitos dessa metodologia aparecem na trajetória de Gabriel Euzébio, de 22 anos, aluno  da organização desde os 12. Há cerca de três anos, passou a se dedicar ao judô e, desde então, percebe mudanças que vão além do condicionamento físico. “Adquiri bastante resistência e disposição, mas também aprendi a ser mais responsável e, principalmente, respeitoso com o próximo”, conta.

Já Matheus Mello, de 28 anos, pratica o esporte na Luta pela Paz desde 2011 e integrou a primeira turma da modalidade na instituição. Ao longo dos anos, participou de competições, teve a oportunidade de atuar como instrutor substituto e, atualmente, continua vinculado às aulas como aluno, mantendo a atividade como um hobby. Para ele, essa vivência mostra uma característica marcante do judô: embora a luta aconteça individualmente, o progresso depende da presença e da colaboração dos parceiros de treino.

“Nós aprendemos e ensinamos. Ninguém está sozinho no tatame, cada atleta tem consigo a sua equipe e representa a história de todos”, fala Matheus.

O programa amplia as possibilidades para que os jovens construam os seus próprios caminhos, dentro e fora do esporte, enquanto fortalecem competências que podem ser usadas em diferentes esferas da vida. Na visão de Matheus, essa experiência simboliza a sensação de fazer parte de algo maior. “Você ganha uma nova família”, conclui.

Campeões Comunitários é um projeto da Luta pela Paz, com patrocínio de Galp e Grupo BTG Pactual, através do Governo Federal por meio do Ministério do Esporte via Lei de Incentivo ao Esporte. 

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