
Mais do que ensinar técnicas de fotografia, o projeto Olhares Negros tem contribuído para ampliar as perspectivas profissionais de jovens da Maré. A iniciativa da Luta pela Paz utiliza a linguagem fotográfica como ferramenta de formação, expressão e protagonismo juvenil, estimulando também a construção de redes de contato e o acesso a novas oportunidades de trabalho. Ao longo da formação, os participantes desenvolveram habilidades técnicas, criatividade e um olhar crítico sobre seus territórios e suas próprias histórias.
Para Ray, de 18 anos, morador da Nova Holanda e ex-aluno do projeto, os aprendizados adquiridos durante o curso rapidamente se transformaram em oportunidades concretas. Desde a conclusão da formação, ele passou a realizar ensaios fotográficos, atuar como assistente de fotografia e participar de diferentes projetos, fortalecendo sua experiência profissional e ampliando sua rede de contatos. “Depois do Olhares Negros, a fotografia abriu novas oportunidades de trabalho e também de conexões. Hoje consigo freelas, participo de projetos e tudo começou com o que aprendi no curso”, compartilha o jovem.

Além do desenvolvimento técnico, Ray destaca que o projeto foi fundamental para fortalecer sua confiança. Segundo ele, superar a timidez e aprender a se comunicar com as pessoas durante os registros fotográficos foram conquistas que impactaram diretamente sua atuação profissional. As atividades práticas e o acompanhamento dos educadores contribuíram para que ele desenvolvesse autonomia e segurança para apresentar seu trabalho e construir novas relações por meio da fotografia.
Hoje, a fotografia faz parte da rotina e também da renda do jovem. A experiência adquirida no Olhares Negros abriu portas para sua atuação em trabalhos ligados ao audiovisual e fortaleceu seu desejo de seguir carreira na área. Ray sonha em cursar Cinema e Audiovisual e continuar utilizando a fotografia para registrar o cotidiano da Maré, valorizando as potências do território e contribuindo para desconstruir estereótipos sobre a favela.
Histórias como a de Ray demonstram como o Olhares Negros vai além da formação artística. Ao desenvolver competências técnicas, fortalecer a autoestima e ampliar as oportunidades de inserção profissional, o projeto reafirma o compromisso da Luta pela Paz com a promoção da empregabilidade e do protagonismo juvenil, mostrando que a fotografia também pode ser um caminho para transformar futuros.
