Iniciativa busca promover educação socioambiental, protagonismo juvenil e ações coletivas para enfrentar os impactos da crise climática

A crise climática faz parte da realidade de milhões de pessoas e seus impactos se manifestam de forma desigual entre a população. Enchentes, ondas de calor, deslizamentos e a falta de infraestrutura afetam de forma desproporcional territórios vulneráveis, tornando a justiça climática uma questão urgente de direitos, proteção e equidade.
Diante desse cenário, a Luta pela Paz criou o Grupo de Trabalho em Justiça Climática, iniciativa que integra os temas estruturais da organização e reforça seu compromisso com a promoção de direitos e a transformação social.
De acordo com Fernanda França, Coordenadora de Projetos na Luta pela Paz, o GT de Justiça Climática nasceu a partir do entendimento de que essa crise também é social, racial e territorial. “Nossa atuação sempre esteve voltada para a promoção de oportunidades e o fortalecimento de comunidades. Com o Grupo de Trabalho, essa missão passa a incorporar, de forma ainda mais estruturada, a dimensão socioambiental, reconhecendo que questões como racismo ambiental, desigualdade social e mudanças climáticas estão diretamente conectadas”, comenta.
Para Fernanda, promover justiça climática significa reconhecer essas desigualdades e fortalecer crianças, adolescentes e jovens para que sejam protagonistas na construção de soluções coletivas de seus territórios.
Formação para transformar o território
As discussões promovidas durante as reuniões buscam ampliar a compreensão sobre como a crise climática impacta o cotidiano das comunidades periféricas e orientar ações práticas dentro da organização. Para Arícia Vidal, Educadora Social do reforço escolar e integrante do GT, os encontros ampliam o olhar da instituição para os impactos da crise climática nas periferias, relacionando temas como racismo ambiental, acesso a áreas verdes, saneamento básico, alimentação saudável e bem-estar.
“O GT nos ajuda a entender que justiça climática também é falar sobre saúde, alimentação, acesso à natureza e qualidade de vida. A partir dessas discussões, conseguimos desenvolver atividades com os alunos que valorizam os saberes do território e fortalecem a formação dos educadores, para que esse tema esteja presente em diferentes ações da Luta pela Paz e contribua para transformar a realidade da comunidade”, salienta.
Para ela, as discussões fortalecem ações já desenvolvidas pela organização e contribuem para a criação de metodologias que aproximam crianças, jovens e educadores da justiça climática, sempre considerando a realidade da Maré e os saberes do território.
Como o GT atua na prática
As ações do Grupo de Trabalho estão organizadas em diferentes frentes para integrar a justiça climática às práticas da organização e aos territórios onde atua.
Entre as principais iniciativas estão:
- Promoção da educação e da formação socioambiental, com a inclusão do tema nas aulas de desenvolvimento pessoal, formação de educadores e produção de materiais pedagógicos;
- Fortalecimento do protagonismo juvenil, por meio da formação de lideranças climáticas, incentivo a projetos ambientais e participação em redes, eventos e mobilizações;
- Articulação com escolas, organizações da sociedade civil e equipamentos públicos para fortalecer ações coletivas nos territórios;
- Implementação de práticas institucionais sustentáveis, como campanhas de educação ambiental, redução de resíduos e integração da pauta socioambiental ao planejamento da organização.
O GT de Justiça Climática a Luta pela Paz é um espaço de diálogo e construção coletiva que contribui diretamente para as práticas da organização. As discussões realizadas nos encontros se transformam em pautas e ações que passam a integrar o dia a dia da organização, como a implementação de placas solares e outras iniciativas voltadas à sustentabilidade. Dessa forma, o grupo amplia a capacidade da organização de identificar desafios, construir soluções e aprimorar suas práticas, fazendo com que os debates sobre justiça climática se traduzam em melhorias concretas dentro da instituição.
Além disso, também representa mais um passo no compromisso da Luta pela Paz com a construção de comunidades mais justas e sustentáveis. A expectativa é ampliar, cada vez mais, essa integração às estratégias da organização, fortalecendo redes locais, promovendo educação crítica e ampliando o protagonismo de crianças, adolescentes e jovens.
Temas alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
As ações desenvolvidas pelos Grupos de Trabalho da Luta pela Paz estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, pois integram temas como educação, redução das desigualdades, sustentabilidade, participação social e construção de comunidades mais resilientes. No caso do Grupo de Trabalho em Justiça Climática, essa relação se destaca nos ODS 4 (Educação de Qualidade), 10 (Redução das Desigualdades), 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima) e 17 (Parcerias e Meios de Implementação).
