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Reforço Escolar da Luta pela Paz desenvolve metodologia antirracista na educação 

Adolescentes durante aula do reforço escolar da Luta pela Paz – Foto: Felipe Varanda

O reforço escolar da Luta pela Paz, ação que integra o Maré Unida – projeto com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, através da Lei de Incentivo ao Esporte do Governo do Rio de Janeiro, via Secretaria de Esporte e Lazer, oferece aulas de reforço escolar para estudantes da 5ª à 9ª série do Ensino Fundamental. 

Desenvolvido para responder aos desafios educacionais vivenciados por crianças e jovens do Complexo de Favelas da Maré, o reforço escolar é fundamentado em uma metodologia antirracista, baseada em pedagogias afroindígenas e no diálogo interdisciplinar. Mais do que recuperar conteúdos escolares, o programa oferece aulas de  língua portuguesa, matemática, ciências e desenvolvimento pessoal a partir de uma abordagem que considera os contextos sociais, culturais e territoriais dos educandos. O projeto cria experiências educativas significativas, conectadas à realidade local e orientadas para o desenvolvimento integral.

“Diferentemente dos modelos tradicionais de reforço escolar, a metodologia da Luta pela Paz se apoia em tecnologias educacionais diferenciadas e metodologias ativas, que estimulam a participação, o pensamento crítico e a autonomia dos alunos. O objetivo é promover aprendizagens mais engajadoras, pensadas para dialogar com a realidade dos alunos”, compartilha Marcos Melo, coordenador do pilar Educação da LPP. 

Alunos durante aula de Língua Portuguesa do reforço escolar – Foto: Matheus de Araujo

O desenho pedagógico é integrado e construído de forma coletiva, envolvendo a família, a escola e uma equipe multidisciplinar formada por professores, assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais. Essa articulação fortalece uma visão integral do processo educativo, reconhecendo que o desenvolvimento escolar está diretamente ligado às dimensões emocionais, sociais e culturais da vida dos estudantes.

As pedagogias afroindígenas são incorporadas ao Reforço Escolar por meio de um programa pedagógico contínuo, desenvolvido ao longo de todo o ano. Para isso, são utilizadas diferentes ferramentas, como jogos pedagógicos, rodas de leitura, palestras, visitas a exposições, atividades culturais e debates, que ampliam repertórios, estimulam o diálogo e promovem aprendizagens contextualizadas. Essas ações não acontecem de forma pontual, mas atravessam todo o projeto pedagógico, garantindo continuidade e profundidade ao trabalho desenvolvido.

Esse percurso culmina na Feira Sankofa, um momento simbólico e coletivo de valorização da ancestralidade, da memória e dos saberes afroindígenas construídos ao longo do ano. A feira representa a materialização dos aprendizados, reforçando a importância de olhar para o passado como fonte de conhecimento, identidade e fortalecimento comunitário.

“Quando crianças e jovens aprendem a partir de referências que dialogam com suas identidades e territórios, eles passam a se reconhecer como sujeitos de direitos, fortalecem sua autoestima e reafirmam sua identidade e ancestralidade. Esse processo contribui para que compreendam seu papel no mundo, reconheçam seus saberes e se percebam como protagonistas de suas próprias trajetórias educacionais e de vida”, complementa Marcos Melo.

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