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Uma nova leitura de mundo

Em seu livro “O perigo da história única”, Chimamanda Ngozi Adichie fala sobre como a literatura tem o poder de construir um imaginário social que fortalece estereótipos e soberanizam apenas uma versão dos fatos. Em sua maioria, a versão colonialista. Desde a infância somos bombardeados por ideias escravocratas que mantêm pessoas pretas e indígenas em um lugar de subalternidade, fortalecendo o racismo estrutural. A sociedade atual é consequência de anos de uma educação que promove discursos de apenas um lado da História. Mas quais ações podemos fazer no presente para transformar o futuro em um lugar mais igualitário e respeitoso?  

A Luta pela Paz acredita que por meio de uma educação antirracista, alunos e alunas, desde a infância, podem desenvolver senso crítico ao pensarem e debaterem sobre pautas sociais emergentes, possibilitando uma mudança social diariamente. O reforço escolar conta com aulas de matemática, ciências e língua portuguesa, com foco em leitura e interpretação de texto, que auxilia no desempenho escolar e incentiva o consumo da literatura. Diferente do que a grande mídia nos apresenta, existem inúmeros autores(a) negros e indígenas, inclusive de territórios favelados, que compartilham saberes, experiências e pensamentos por meio de uma escrita capaz de gerar reconhecimento em crianças e jovens racializados. 

“Eu considero a literatura produzida e consumida por nós mesmos como um processo terapêutico, porque fazer com que pessoas como eu se interessem pelo que está escrito só acontece quando as histórias e sentimentos falados ali têm a ver com essas pessoas. Elas podem se identificar e se entender, e isso ajuda na reestruturação da autoestima delas e mostra possibilidades de futuro que antes não enxergávamos como capazes de ter. Por isso eu, como um escritor negro e favelado, preciso ter responsabilidade com o que comunico nos escritos, pensando sempre em como eles podem chegar no meu povo”, relata Matheus Araújo, assistente de Comunicação da Luta pela Paz, escritor e roteirista. 

O antirracismo é um movimento, opinião ou sentimento de oposição ao racismo e todos podem e devem adquirir práticas diárias para ajudar na construção de uma sociedade mais justa. Qualquer um pode falar sobre dores e opressões, mas ao longo da história, pessoas não negras têm tomado o lugar de protagonismo, e a nossa missão é oferecer um espaço seguro para que crianças e jovens racializados e de territórios afetados por diversas violências sejam protagonistas de suas vidas e contem as próprias histórias. 

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