“É um privilégio educar-se sobre o racismo ao invés de vivenciá-lo”

Devina Serebour, escritora e ex-membro do Conselho Jovem da Luta pela Paz (Londres) 

No Reino Unido, outubro é marcado pelo Mês da História Negra e não há momento melhor para celebrarmos os avanços, a cultura e a diversidade das pessoas negras que conhecemos. Mesmo que ainda seja necessário tirarmos um tempo para, também, refletir e discutir meios de combater o racismo, a desigualdade e a injustiça.

Com um grupo tão diverso de jovens na Luta pela Paz, é importante que todos se sintam bem-vindos, representados e ouvidos – algo que a Luta pela Paz se esforça para incorporar todos os dias por meio de seu valor “Abraço”.

“Acho que é importante que os jovens venham ao nosso espaço e vejam que, em todos os níveis, há pessoas com as quais eles podem se identificar e que estas também possam se identificar com eles. Para que, assim, sejam compreendidos e não se sintam julgados. ”, diz Jenny Oklikah, CEO da Luta pela Paz em Londres. “E a “raça” é uma grande parte disso, especialmente em uma área como Newham, que é altamente diversificada.”

A Luta pela Paz ajuda os jovens a alcançarem seu potencial e uma forma de fazer isso é oferecendo a eles uma variedade de oportunidades, combinadas às aulas de boxe e artes marciais, educação e desenvolvimento pessoal.

Antes do lockdown, por exemplo, um grupo de jovens foi levado para os Arquivos da Cultura Negra, onde puderam explorar sua identidade, história e ancestralidade – uma experiência que eles podem não ter tido acesso em nenhum outro lugar anteriormente.


Jenny destacou, ainda, a importância da representação do negro em todos os espaços, assim como ocorre na Luta pela Paz.

“É uma questão de influência, estrutura de poder e representação em todos os níveis da sociedade e dentro das organizações. Isso significa, em termos de liderança e tomada de decisão, sobre como montamos programas, prestamos serviços e tomamos decisões estratégicas e financeiras. É importante, portanto, ter o máximo de representação possível. O reconhecimento e a importância da equidade significa que temos que nos mover em direção a uma sociedade na qual os negros ocupem cargos e sejam representados de acordo com nossos conjuntos de habilidades, talentos e habilidades em todas as áreas. Isso é absolutamente fundamental e não vai acontecer por acidente, vai acontecer por meio de um esforço consciente para identificar e superar as barreiras que existem hoje.”


No último ano, vimos o ressurgimento global do movimento Black Lives Matter após o assassinato de George Floyd e a discussão sobre raça e racismo institucional se tornou, mais uma vez, inevitável. Desde então, tem havido ênfase na educação, diversidade e inclusão em todos os setores.

“Aprender com o movimento Black Lives Matter é importante, refletir sobre nossa organização e formas de trabalhar faz parte do nosso direcionamento estratégico. A diversidade não pode ser colocada como uma coisa secundária”, conta Jenny.

É importante, ainda, notar a importância da interseccionalidade porque as experiências de diferentes grupos dentro da comunidade negra podem afetá-los de diferentes formas em sua educação, acesso ao emprego e nas demais formas de obtenção de apoio.


“Olhar para questões de gênero e raça é uma grande parte do que fazemos em nossos programas de desenvolvimento pessoal. Nos programas “Lutadoras” e “Man Talk” (em tradução livre “Papo de Homem”), por exemplo, falamos sobre as questões mais amplas e importantes em torno do desenvolvimento de uma identidade forte e como responder a alguns dos desafios sociais que eles podem enfrentar em termos de gênero”, destaca Jenny. “Não quero dar a impressão de que a Luta pela Paz já alcançou tudo o que precisamos alcançar e que já somos capazes de dar este tipo de suporte aos nossos jovens, mas é uma jornada que estamos trilhando e aprendendo: de que é importante ter essas conversas consideradas difíceis. Quero permitir que todos os/as jovens encontrem uma plataforma capaz de desafiar as formas como respondemos às questões em torno do racismo enquanto organização. Sempre recebi bem essas conversas no passado e esse é o meu estilo de sempre encararmos e seguirmos em frente.”


Sem dúvida, ainda há muito o que a sociedade, em geral, precisa aprender (e desaprender) para garantirmos que o racismo seja desmantelado em todos os níveis. Mas, à medida que nos tornamos mais interconectados do que nunca e capazes de reconhecer a importância da cultura, da herança ancestral, de pessoas negras para a nossa sociedade, temos a oportunidade de operarmos juntas e juntos em prol dessa mudança fundamental. E este esforço, como Jenny nos conta, precisa ser intencional, com organizações como a Luta pela Paz atuando ativamente para que as mudanças ocorram e ajudem a alterar esta estrutura.  

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