Ação da Luta pela Paz apresenta aos participantes novas referências sobre cuidado e formas de expressão

Foto: Monara Barreto | Imagens do Povo
Uma experiência fora da sala de aula pode abrir novas possibilidades para o aprendizado. Foi com esse propósito que os participantes do projeto Liderança Jovem, realizado na Luta pela Paz, visitaram o Museu do Inconsciente, localizado no Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira, no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro. A atividade viabilizou o contato com as diversas obras e histórias relacionadas à trajetória da instituição e proporcionou discussões acerca do bem-estar, da diversidade e do respeito às diferenças.
O encontro integrou a trilha formativa do projeto, que reúne 10 jovens em uma agenda voltada para o desenvolvimento de lideranças juvenis. Ao longo dos meses, o grupo aborda temas estruturais da Luta pela Paz, saúde mental, desenvolvimento pessoal e habilidades socioemocionais. O programa também busca estimular a atuação dos integrantes para além da organização, por meio de iniciativas de incidência em escolas públicas do Complexo da Maré, com o objetivo de fortalecer o diálogo e a colaboração estratégica e consciente no território.
Para Fernanda França, Coordenadora de Liderança Juvenil e Articulação na Luta pela Paz, esse tipo de vivência contribui para cultivar uma postura mais sensível às singularidades de cada indivíduo. “Exercer liderança significa saber escutar, respeitar diferentes perspectivas, reconhecer potencialidades e criar ambientes onde todos possam se expressar e ser acolhidos”, fala.

Foto: Monara Barreto | Imagens do Povo
A arte como um caminho para o cuidado
Na programação, a turma explorou o acervo do museu e ouviu relatos sobre o local. A mediação apresentou como a arte foi incorporada ao cuidado psicológico, com pinturas, desenhos e outras manifestações produzidas pelos próprios pacientes. A psiquiatra Nise da Silveira, responsável por transformar as práticas de tratamento destinadas a pessoas em sofrimento psíquico, ganhou espaço nas explicações. Sua proposta de utilizar cães e gatos como recurso terapêutico chamou a atenção dos jovens, que entenderam os efeitos positivos da convivência com os animais para os atendidos.
Aos 17 anos, Sara Gonçalves, participante do projeto, reflete sobre como se surpreendeu com as formas de acompanhamento adotadas no passado. Aprender sobre episódios desse período a fez pensar nos costumes que hoje parecem distantes, mas que fizeram parte da vida de quem teve acesso ao serviço. “Nós não podemos maltratar as pessoas por uma condição que elas não escolheram ter”, diz. A jovem conta que sente vontade de compartilhar essas informações com a comunidade para ajudar a desconstruir visões estigmatizadas em relação às instituições de suporte à saúde mental.
Caio Feliciano, de 20 anos, também destaca o impacto dos debates despertados pelo passeio. Interessado pela temática da luta antimanicomial, ele expõe que a ação reforçou a importância de manter essa discussão em pauta no cenário atual. “Levo comigo um olhar ainda mais atento para o outro e o valor de respeitar as diferenças e de não repetir práticas que desconsiderem a dignidade humana”, menciona. Ele afirma que a imersão facilitou a compreensão sobre o papel das lideranças na continuidade da defesa dos direitos de pessoas historicamente marginalizadas.
Iniciativas como essa aproximam os conteúdos trabalhados nas rodas de conversa a contextos concretos e permitem que os jovens interajam diretamente com as variadas realidades sociais. É esse processo que impulsiona a juventude a planejar caminhos que sejam capazes de mobilizar aqueles que estão ao seu redor.
O projeto é um piloto desenvolvido na Luta pela Paz, com foco na formação de líderes jovens – pilar Liderança Juvenil do eixo Academia.
