MARÉ DE HISTÓRIAS

Entre barracos de madeira e casas de alvenaria, estão vidas mareenses que jamais deixarão as histórias do território serem esquecidas.

É natural desenvolver uma relação afetiva com o espaço em que vivemos.  Nascer e crescer em um ambiente com uma cultura, características específicas, histórias escondidas em cada esquina, personagens icônicos, fazer amigos, viver uma vida e planejar um futuro naquele território. É óbvio que o laço com aquele lugar vai ficar cada vez mais forte. Agora imagine esse lugar sendo a Maré!

 Colagem Dona Orosina

O Complexo da Maré, localizado na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, é formado por 16 favelas que abrigam mais de 140 mil pessoas e fica entre três vias super importantes da cidade: Av. Brasil, Linha Amarela e Linha Vermelha. 
A primeira ocupação foi em 1940, no Morro do Timbau, único lugar com terra firme naquela época. Dona Orosina, uma parteira e rezadeira migrante de Ubá, Minas Gerais, se apaixonou pela antiga Maré que era feita de enseadas e ilhas. Pouco tempo depois, o território começou a ser ocupado por palafitas, que eram casas flutuantes e ficavam, literalmente, sobre as águas. Assim, a Maré foi sendo construída, cada favela com sua particularidade e demanda específica. Em cada parte do território existem histórias com protagonistas que nunca tiveram a oportunidade de falar. 

Dentre essas histórias estão mulheres chefes de família que atravessavam toda a Avenida Brasil, ainda em construção, debaixo de um sol quente, com seus baldes na cabeça para pegar água e levar para seus barracos. 1, 2,3.. 5 vezes por dia. Depois de um tempo surgiu o rola-rola, uma espécie de barril com um arame preso em cada ponta que facilitava o transporte de água. Essas pequenas invenções eram formas de agenciamento para suprir uma falta que não deveria existir. 

Mesmo com tantas dificuldades, como, por exemplo, andar pelo território tendo apenas pedaços de madeira como piso, a Maré foi crescendo e conquistando cada vez mais espaço no coração dos Mareenses.

Hoje em dia a região é diferente. Podemos observar características e peculiaridades de cada comunidade, como por exemplo o Parque União, considerado o centro gastronômico da Maré. Também existe o Parque Ecológico, localizado no Pinheiro, além do famoso Piscinão de Ramos, que fica na altura da Passarela 12 da Av. Brasil. Tudo isso além dos inúmeros espaços do território que acabaram se transformando em pontos de encontro de crianças e jovens. Mas não podemos esquecer das mãos que construíram esse lugar. 

Mesmo em meio às diferenças e semelhanças, a Maré é ocupada por uma diversidade de moradores que ainda guardam na memória os processos desse território. Entre barracos de madeira e casas de alvenaria, estão vidas mareenses que jamais deixarão essas histórias serem esquecidas.  

A Luta Pela Paz, atuante no território há 20 anos, fica localizada na comunidade Nova Holanda. Ao longo de todos esses anos, sentimos orgulho de fazer parte do crescimento desta região tão importante para o Rio de Janeiro.