JÔ, MIRIAM E RAISSA: HISTÓRIAS QUE SE CRUZAM NA ONG PRA ELAS

Durante o mês de março, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, conhecemos as histórias das nossas MULHERES DE CORAGEM.

Durante o mês de março, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, conhecemos as histórias das nossas MULHERES DE CORAGEM. Miriam, Raíssa e Jô, pessoas inspiradoras criadoras do projeto: ONG PRA ELAS, o mais novo projeto social da Maré, focado exclusivamente para mulheres entre 30 a 90 anos, que busca trabalhar a saúde mental e física a partir dos treinos de boxe e ginástica funcional, aliadas a rodas de conversa e outros momentos de formação.  

A iniciativa das jovens começou com o pé direito, sendo um dos quatro projetos selecionados para o nosso programa de formação e treinamento Maré Unida, que conta com o patrocínio da Petrobras.

Ranni Soares, monitora do Maré Unida, pôde ver de perto a transformação do sonho das três jovens em realidade: “Os treinamentos do Maré Unida têm sido, cada vez mais, um processo de fortalecimento dos laços entre as participantes e delas mesmas enquanto educadoras e gestoras de seus projetos. Na última sessão, foi promovida uma reflexão sobre três dimensões relevantes aos seus aspectos individuais e de seu respectivo projeto: Prática do Educador, Capacidade Organizacional e Mapeamento de Contexto. Assim, no decorrer do programa, podemos aprofundar o conhecimento a partir dessas três frentes. Está sendo muito gratificante poder aprender com elas e acompanhar de perto todo esse processo de estruturação e amadurecimento organizacional. Minha aposta é que em pouco tempo essas mulheres incríveis estejam com o seu projeto decolando e impactando positivamente as vidas de centenas de pessoas! Essas mulheres estão com tudo! Muito empolgadas durante as sessões! Elas se completam, pois cada uma apresenta um perfil diferente. Acredito que o grande desafio das três é fortalecer a sua autoconfiança e se sentirem mais confortáveis e seguras para executarem ou falarem algo. As três têm muito potencial para estar na linha de frente do projeto, falando sobre ele para qualquer público.”

Mas ninguém melhor do que as três para falar sobre isso. Com a palavra: Miriam, Raíssa e Jô. PRA ELAS!


Como surgiu a ideia de criarem o Pra Elas?

Raíssa: “Na verdade, eu sempre quis ter um projeto para ajudar mulheres a aprenderem a se defender e como a Miriam e a Jô são professoras também, tive a ideia de chama-las pra ver o que elas achavam. A primeira coisa que disse foi: “E se a gente atendesse mulheres maiores de trinta a... noventa anos, e que normalmente não tem a oportunidade de fazer parte da maioria das atividades que tem aqui na Maré por conta da idade?”(...)

Miriam: Eu lembro da Raíssa virando pra mim do nada e dizer: “Miriam, que tal a gente botar um projeto?” Eu virei, olhei pra ela e falei: “É sério isso?” (as três riem) “Tu vai querer mesmo ou você tá brincando comigo? “. Aí ela: “Não! A gente chama alguém a mais também, da Luta Livre.”. Mas aí a gente pensou melhor e achou que as mulheres não iam querer muito (luta de) chão. Aí ficamos pensando muito, pensando várias coisas, até que veio na nossa cabeça a Jô, do Muay Thai. Ela disse: “Pô, boa! Eu boto funcional, porque muita mulher não quer aprender a chutar, a lutar no chão... E muay thai atrai muito o público feminino: Vamos chamar a Jô!”.  Assim que a gente falou com a Jô e você lembra o que você respondeu?


Jô (rindo): "BOMBOU!"

Miriam: "E assim que começou a nossa história!"

E qual a importância do Pra Elas aqui para a Maré?

Raíssa: “Primeiramente é um projeto que não existia na Maré e sentíamos falta disso. Com o começo das aulas, vimos que é um projeto fundamental para as mulheres daqui da Maré, porque além de trabalhar a saúde mental das nossas alunas, também mantêm um nível de amizade. Muitas vêm de outros lugares, não conhecem muita gente, acabam entrando no projeto e conhecem uma outra realidade, novas pessoas, descobrem uma atividade que gostam de fazer e aprendem sobre coisas do dia a dia.  Assim trabalhamos a autoestima destas mulheres, assim como trabalharam a nossa autoestima aqui dentro da Luta pela Paz. Criamos esse espaço seguro onde elas podem aprender mais sobre os seus direitos, seus deveres e esperamos que as nossas alunas reconheçam a nossa organização como um abraço. Porque nós queremos abraçar à todas!”(as três riem)

Miriam: "Escolhemos trabalhar com essas mulheres acima de 29 anos, justamente porque entendemos que a violência contra elas é algo que acontece muito. Muitas vezes elas não têm com quem conversar, por isso, além das aulas, faremos muitas rodas de conversa. Queremos abrir a mente dessas mulheres. Porque têm muitas que às vezes sofrem diversas formas de violência que não é só a violência física, né? Nossa meta é passar adiante tudo o que a gente aprendeu e apresentar um outro mundo para essas mulheres. Mostrar que é possível viver sem ser trancada ou brigando... Porque muitas mulheres passam por algumas situações e as guardam para si. É muito gratificante ajudar às outras mulheres a colocar esse sentimento para fora .É isso que queremos!"

Jô: "Por conta das nossas histórias, vocês puderam conhecer também a nossa ideia: que é trazer essas mulheres que sofrem com essa violência, seja ela, física, verbal ou psicológica. Porque eu, por experiência própria, sei que é muito difícil sair dessa situação. Sempre tem alguém que fala: se está apanhando e voltou, é porque gosta e não porque é vítima e sofre uma pressão psicológica. Queremos dar a elas o que o esporte nos deu, porque a forma que nós vemos o esporte e a vida é completamente diferente de antes. Queremos fazer exatamente o que o esporte fez conosco. Não só o esporte, claro: tudo que a Luta pela Paz fez por nós queremos dar pra elas também."

 

Qual a meta que vocês têm para o Pra Elas neste ano e para o futuro?

 

Jô: "Não podemos negar que o nosso sonho é ter nosso próprio espaço e poder atender um grande número de mulheres. Também desejamos um lugar em que a gente possa montar um espaço de creche, pras crianças poderem ficar enquanto as alunas-mães treinam ou participam das atividades de cidadania. Mas sabemos que o caminho é longo até que a gente consiga."

 

Raíssa: "Enquanto isso, a nossa meta é continuar as nossas aulas, tendo cada vez mais alunas."

Miriam: "Para isso queremos continuar com os aulões abertos, como o que fizemos na quadra da Nova Holanda, pois são nesses eventos que muitas mulheres têm a oportunidade de conhecer e chegar mais perto do projeto."
 

 

O que você acha que é ser uma mulher de coragem?

 

Miriam: "Mulher de coragem para mim é aquela de atitude, que enfrenta as barreiras com coragem e não se abate com o primeiro problema, ela enfrenta tudo. Mulher de coragem é aquela não desiste."

Raíssa: "Eu acho que é isso mesmo que a Miriam disse, é não ter medo de nenhuma dificuldade, mesmo que lá na frente você quebre a cara. Coragem é não ter medo de viver."

E quem são as mulheres de coragem que inspiram você?

Jô: "Para mim, sem dúvida, é a Carolzinha. Como eu disse, ela é uma grande inspiração, acho que para todas, né?"


Raíssa: "Quando falo de mulheres de coragem, sempre lembro da minha mãe, da Marielle, da minha avó, das minhas tias e da Rayanne (ex-aluna e membro do Conselho Jovem). Portanto, acredito que toda mulher é uma mulher de coragem, mas são nessas que eu me inspiro."

 

Miriam: "Acho que são todas essas e tantas outras que vemos por aí, trabalhando e batalhando. Mulher de coragem é aquela que luta diariamente e que está conquistando seu espaço na sociedade. Mulheres de coragem para mim sou eu, a Raissa e a Jô."(Todas riem).